Injúria

Pessoas que acreditam na fidelidade como a única coisa que importa numa relação não conhecem o significado da palavra lealdade. São egoístas e vaidosas. O bem estar a dois, está sim atrelado à exclusividade, mas puramente pela dedicação necessária para se construir uma unidade. Um relacionamento sem comprometimento com as expectativas e objetivos do outro não passa de possessão.

Conheço bem esta lição. Meu orgulho próprio decepou de mim a presença, que mesmo equivocada, foi a mais inebriante. Minhas cicatrizes voltam a doer, ao ver aqueles que instigaram minha intolerância, exercerem o sublime dom do perdão e se manterem esperançosos quanto ao transformador poder do amor.

 

Desistir nem Sempre é Fugir

Vou dar um toque em meu destino.

Dizer que ele já pode se esquecer;

E assim como as estações do ano,

Podemos deixar o inverno passar pra chegar à primavera mais uma vez.

E mesmo com este buraco enorme,

Com este vazio que tudo engole,

Ainda consigo sorrir ao que passou.

 

A fé quase se findou.

Quantas cartas;

Desprezo, indiferença.

Um milhão de reencontros imaginários,

Solidão, e mesmo assim,

Meu coração não quer odiar você.

Mas precisa de outros contos.

 

Suas cores ainda colorem meus sonhos.

Mas já não há tempo pra lamentos;

Vou regar este jardim e alimentar os pássaros.

Ainda quero ver a última aurora.

Sei que me embriaguei da madrugada,

Fiz disso a razão de outrora,

Mas me cansei da escuridão.

 

Todos os pecados tem perdão.

Dos meus eu já nem sei dizer.

Como alguém que corre em disparada,

Sem destino ou direção,

O meu querer não tem sentido,

Só quer correr.

Para algum lugar onde há você.

 

Outra saída

Cada vez mais distante

Silenciosamente meu peito se distrai

E entre planos para dominar o mundo e a mim mesmo

Vê-se toda a poeira que o furacão levantou se deitar por sobre as fotos, por entre os fatos,

Símbolos e sinais da nossa imunidade, da nossa inquietude e nossa impunidade

Não sei quanto

Não sei como

Só sei que seria

E sendo assim, mesmo com tanta poeira, ainda penso em você

E sendo tanto assim, ainda espero

E procuro mesmo sabendo que já esta em mim

Mesmo sabendo que pode ficar tudo assim

Como esta.

 

Só uma coisa me entorpece

Ouvir você dizer que esta luz ofuscou teu olhar também

E invadiu, confundiu e te levou também

E só uma coisa me despertara

Ver-te por entre filas e festejos

Por entre a brisa e revoadas, se encontrando, pensando em mim.

 

E hei de achar outra saída

E aprender a sentir tal gosto tão milagroso

Sem provar você

E ser assim tão completo

Sem invadir você

 

 

Confissões

Diz pra mim, qual planeta eu tenho que conquistar,

Qual oceano eu tenho que atravessar,

Na jaula de qual leão eu tenho que entrar

Pra você poder me amar.

Quantas árvores eu tenho que plantar,

Quantos livros eu tenho que escrever,

Quantos filhos eu precisaria ter

Pra você não me esquecer.

Será que lagrimas te fariam acreditar?

E se eu matasse alguém, você iria enfim entender?

Será que se eu morresse você poderia me perdoar?

O quanto mais vou precisar me arrepender

Pra te fazer voltar?

Pra minha vida.

Pra minha boca.

Pro meu destino.

Pra quantas pessoas vou ter que confessar,

Em qual volume vou ter que gritar

Que eu te amo e vou te amar

Que em minha vida se tornou a coisa mais importante.

Minha doença,

Minha cura.

Luz e escuridão.

Vai, pede pro seu coração me dar a ultima chance, pra ser o único

Pra acreditar em mim.

Quantas flores vou ter que roubar... Quantas flores?...

E em quantos espinhos ainda terei que pisar... Quantos espinhos?

E quantos terei que tirar,

Ate aprender a não andar pelas flores.

E ser capaz de amar,

Sem fazer de um peso a lealdade de que se alimentam os sentimentos de verdade.

Dentro de um pesar que parece ser infinito eu me calo então,

Quase convencido do provável fato que você parece tanto insistir em me fazer entender

Que tivemos o céu mas não soubemos voar.

Que chegamos num ponto de onde já não podemos mais voltar

E se chegamos a tanto foi porque em algum momento deixamos de tentar

Ou nos conformamos com alguma situação que não era pra ser.

E se achar que não fomos tão alto assim,

Saiba que quase toquei as estrelas.

Viajando na velocidade da luz desse teu sorriso,

E do seu olhar.

Confesso que não sei mais nem quem sou.

Que meu coração não sabe mais bater sem dizer teu nome, e que ele não queria mesmo dizer outra coisa.

Mas confesso que outra voz no meu peito diz pra eu me orgulhar do que se passou,do que eu senti, de minhas renuncias, convicções e nada mais...
 

 

Visceral

E então terei dúvidas, de onde termina minha pele e começa a tua.

Do que tem em tua boca que pertence a minha, e quais sons em teu corpo podem decifrar tua alma e emoções, pro meu olhar.

Ouso tua voz, tão alta em meu ouvido,

E teu cheiro, tão denso,

Tão perto,

Como se fosse o gosto.

E não esquecerei jamais.

De cada gesto teu,

E em cada um me entorpeço e me embriago de vontade.

Só sendo um gênio mesmo pra realizar, pra satisfazer.

Todos os desejos que você me faz sonhar, me faz sentir.

 

 

Mortuário

E o pior é pensar no quanto podemos ser desumanos.

E me lembrar de quanta barbaridade e quanta podridão podemos amontoar sobre nossas cabeças e nossas mãos.

Perceba como nos fascina a violência e acidentes sangrentos. Como os genocídios e tragédias estão tão arraigados a nossa historia e nossa alma.

 

Tenho medo agora. Ao descobrir que o amor não é um sentimento assim tão nobre, e pode sim se transformar em desprezo absoluto ou algo abundantemente cruel, destrutivo e feroz.

Só então pareço perceber a gloriosa responsabilidade que temos sobre a vida dos outros ao nosso redor, sobre suas escolhas, seus erros e acertos. E me lembro então do que é cansaço, solidão e do gosto do fel.

E então rezo para que eu possa ter a chance de continuar tentando ser um tanto justo, prudente e constante. Peço a Deus a todo instante, não permita que eu possa, assim por uma atitude tão miserável, perder a esperança em mim, nas pessoas, na virtude e na leveza que a vida pode ter.

Sei que precisamos às vezes de tombos para despertar de sonos bem profundos. Mas é que existem abismos profundos demais.

Monstros famintos e corações tão negros quanto um lamaçal escuro e frio.

 

Olhe para mim agora, e guarde apenas esta imagem então. Pois daqui até a eternidade, guardarei em mim esta certeza. De que todos podemos errar, mas existem pecados incomensuravelmente mais abomináveis que outros. Doenças que não têm cura e feridas que não se fecham nunca.

Que confiar seus tesouros a Bestas é como dar perolas aos porcos.

E que Deus poça perdoar todo o horror e decepção que deixo envolver meu coração neste momento.

 

 

Pensando bem

Espere um pouco mais,

Vou aprender desta vez,

E cuidado hei mais de ter,

Ao dizer o que sinto e sentir o que digo.

Já que quase sempre hei querer te convencer, e a mim também.

Quase sempre hei de querer me iludir, e a ti também.

Vou guardar minhas chaves em lugar menos vão que junto ao peito.

E escutar as vozes destes tolos que não cuidam do jardim de ninguém,

E nem esperam que se deslumbrem com os seus.

Mas o que cultivar em mim então,

E esperar do tempo?

Quando soltou minha mão perdi o espaço, a direção.

Mas acho que encontrei outro caminho nesta imensidão.

Jogar-me-ei então.

Mas desta vez sem fechar os olhos.

Já que o sol não para de queimar,

O tempo não deixa de andar.

Assim como não deixam de brilhar as estrelas do firmamento,

Não deixarei de amar.

Mas sem sangrar talvez.

 

 

Brumas

Feche teus olhos ardente senhor das sombras.

Que o dia está claro demais e trovões ofuscam minha visão.

Em minha aurora não a penar. Não se iluda.

Só dúvida,

E prestes a disparar,

Um canhão.

E um alvo que ainda ontem era minha razão

Tempo, conceito tão ferino. Quase desafiante.

Quero perdê-lo de vista que seu gosto já me é bem amargo.

Alias já não sinto teu cheiro tão sufocante assim

Melhor pra mim.

 

 

A roda da Fortuna

Inconstante como o humor dos conscientes, me revezo entre o paraíso da auto-suficiência e o purgatório da solidão que engole tudo.

Por tudo q posso aprender com essa dor e pela ignorância q você enfiou em mim quando se foi sem olhar pra traz, levou nossos pratos, nossos lençóis e a dignidade de que tanto te falei. Não consigo mais voltar pra casa porque fui longe demais, fui com suas asas, e já não consigo mais encontrar as minhas.

Reconheço minha ousadia, minha ansiedade. Mas já não da mais pra duvidar do meu amor, pra plantar em mim a idéia de que tudo passou e que fui destemido o bastante pra enterrar você e sua indiferença.

A mesquinharia de esconder roupas e fotos ainda me comove, e a deslealdade de emprestar nossa cama e nosso amor por um pouco de segurança é uma coisa com a qual jamais quero ter o outro contato.

Sinto como se minha casa houvesse sido abandonada, e como qualquer coisa abandonada, esta prestes a ruir por completo. Simples assim... Vou me dedicar nesta reforma agora ou me mudar de vez. Mas temo não ter as ferramentas necessárias e nem um caminhão tão grande q vá caber minha decepção, porque esta eu hei de querer levar por onde eu for. E me lembrar sempre, que o amor é o maior prazer q se pode ter nesta vida e q a cumplicidade com os sentimentos e a vida dos outro a maior responsabilidade.

 

 

Incidental

Segurança inconstante.

Pensamento incoerente.

Sensação alucinante.

Libido inocente.

As novidades de um universo fascinante,

Só pra ti,

Para ti.

Tudo de digno que há em mim,

Para ti,

Só pra ti.

Ofereço-lhe minha alma em prova de devoção.

Pra perder a consciência quando conseguir encontrar,

O som dos teus olhos, a canção do teu olhar.

Apenas uma palavra pra resumir esta ansiedade,

Necessidade,

Necessidade.

 

 

Inquietude

Abstrata esta certeza, quando imploro que sejas quem preciso.

Tentei dedicadamente amar-te com serenidade,

Mas a tempestade que há em mim fez-me devorar tal intenção.

Não é assim, tão pessoal esta questão.

Apenas tento viver o que aprendi e o que quero.

E tento aprender o que quero viver.

E mais importante ainda foi encontrar em você,

Quase tudo.

Ainda.

E na verdade eu já nem sei,

Se você pode tanto assim.

Ou se eu tenho pelo menos o direito de dizer,

Também.

 

 

Intocável Senhor da Razão

Não sei dizer o quanto posso sorrir

O quanto poço chorar

O quanto de mim vai resistir

O quanto de mim vai se findar.

 

Qual a medida de nobreza e podridão se amontoa sobre minha cabeça

E minhas asas?

Tornaram-se nada mais que lembranças dolorosas de minha ingenuidade

E essa incerteza que não passa

E essa culpa que eu convidei a entrar.

 

Jamais voltaria

Mas se pudesse entender melhor o efeito que o tempo tem em nossa imortalidade

E não me distrair jamais

Entender que precisamos andar por caminhos mais iluminados

Mas não podemos chegar a lugar algum.

 

Agora sei

Aquela luz não saia do meu peito

Sou apenas um canal

Pro fogo e pro ar que frenética e eloqüentemente dança sobre o senhor da razão

O tempo.

 

 

Outro Caminho

Tentar manter os olhos abertos,

a via de tudo que chega a mim.

Velhas correntes me fazem pensar que estou seguro por não permitir que me afaste,

de tudo que já esta em mim.

Largas hão de ser as possibilidades,

A via de tudo que esta por vir.

E quando velhos inimigos nos fazem perceber que temos outras opções,

a de ser hora de rever velhas convicções.

E vislumbrar novos caminhos.
 

 

Completo

Toda minha busca por um instante se cessou.

E num piscar de olhos, todo sentido que busco para o universo a verdade encontrou.

Numa simples presença,

Que fazia de toda minha existência a mais sublime das celebrações.

Como se por uma vida inteira eu quisesse senti-la,

Como se magnetismo fosse uma palavra que expressasse um sentimento,

Eu fui sufocado por uma imensa saudade de algo que ainda nem conhecia.

Por um instante achei que meu coração estivesse indefeso,

Mas hoje sei que é minha alma que esta sedenta de luz, clareza, e da revelação que tua companhia me traz.

E que quando vou em tua direção é a mim que procuro.

 

 

Trouxe

Trouxe-te jardins e te fiz deitar por sobre espinhos

Fartei-me do fel e do mel que a tua inocência me ofertou

 

Não saberei dizer ao certo a ordem nem a medida

Mas sei que não poderei então

Nem voar nem rastejar

 

Cavei, cavei, e quando finalmente consegui te enterrar.

Vem você e me diz que foi contigo um pedaço meu que durante todo este caminho tentei te dar e me convencer que deveria ser realmente teu.

 

Pergunto-te então:

Como assumir minha mediocridade sem me sentir medíocre

Como fazer com que estes troféus acorrentados a mim

Não se tornem minha prisão.

E que teu sorriso tão voraz

Não se traduza em minha lagrima, tão serena.